Escola Corujinha

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Psicologia

28.10.2009

PERSONALIDADE INFANTIL

A PERSONALIDADE DAS NOSSAS CRIANÇAS[1]

 

É sempre um prazer encontrar você pai, mãe e responsável para conversar sobre nossas crianças.

            Continuando nossa temática, já sabendo que pais modernos precisam por limites na educação dos filhos, hoje iremos entrar na formação do indivíduo. O que é adequado na personalidade de cada faixa etária.

           

2 anos e meio:

            É um período de transição. As crianças desejam fazer a rotina diária da forma que bem entendem. Mandar e tomar decisões são atitudes que elas gostam muito: “Mamãe faz tal coisa”, “João vai fazer”. Dificilmente admite alternativas: “Eu quero”, “Sai”. Faz manhas duradouras, chegando até uma hora por qualquer motivo. Quer que conte sempre a mesma história várias vezes seguidas. Só quer aquilo que está habituado, consequentemente é uma idade ruim para mudar de quarto ou introduzir novas roupas.

            Pratica agressões súbitas, ataca com socos os estranhos, rasga tudo, gagueja, briga, destrói brinquedos e objetos grandes e pequenos. A sociabilidade inicia-se, a sua energia está descontrolada, seus comandos são indecisos, vem e vai, dá e toma, puxa e empurra, enfim, sua vida é um verdadeiro sistema de vaivém. Tudo porque ainda não está madura e sente-se obrigada por uma misteriosa e incontrolável força interior a experimentar todas as alternativas, como quem está procurando achar qual é, realmente, o caminho certo. Aos 3 anos já saberá qual o caminho a tomar.

            O cerimonial para deitar a noite pode ser complicado, pois faz muitas exigências antes de pegar no sono, quer que se contem histórias, beber água, voltar ao sanitário, beijar e dar boa noite a todas as pessoas da casa.

 

3 anos

            É conformado, procura agradar, está numa fase de equilíbrio, contente consigo mesmo e com o mundo, isto é, o ambiente do lar. É tomado por uma boa vontade que até deseja ajudar a mãe a arrumar a casa, coloca coisas no lugar certo, pede para cozinhar. Sabe dizer sim, apresenta suas simpatias e já é possível negociar e fazer acordos. Sabe esperar sua vez, ao menos deveria. Não é tão dominador e egoísta como anteriormente e pode repartir os brinquedos com os amigos para conquistar novas amizades.

            O vocabulário cresce rapidamente e adora empregar palavras novas. É a melhor ocasião de ensinar os hábitos higiênicos.

            Porém, ao completar 3 anos e meio, entra numa fase de introversão. Pode tornar-se chorão, exigente com os adultos e ciumento. Quer que todas as atenções da família e dos amigos sejam dirigidas a ele.

            A criança de 3 anos começa a escolher o brinquedo de acordo com o sexo. Gosta de levar seus brinquedos à escolinha para mostrar aos seus colegas e professores. Aprecia pular e correr ao som da música.

 

4 anos

            É uma idade vigorosa e expansiva, geralmente fora dos limites... em tudo! Na parte motora: bate, chuta, atira pedras, quebra objetos, corre, foge. Na parte verbal, usa muito a expressão: “você me irrita” e gosta de dizer palavras impróprias que repete constantemente. Na parte emocional dá risadas tolas e tem acessos de raiva. Sua personalidade é volúvel, autoritária, atrevida, afrontando as ordens dos pais. Castigo pouco adianta. Nessa idade é melhor leva-lo com habilidade, assim chegará a surpreender como pode ficar razoável.

            Entretanto, ele é interessante e divertido, volúvel, calmo ou barulhento, prestativo ou indiferente, compenetrado ou dispersivo, nas suas travessuras. É a idade de novas aquisições e rápida acumulação de conhecimentos. A chave psicológica é a sua alta e variável velocidade mental; a imaginação voa...

            Começa a enfrentar o conflito da contradição entre o dever e o querer. Já percebe o grau das autoridades familiares e como sente o lado fraco de cada uma delas. Aos 4 anos, qualquer criança normal sabe diante de quem deve chorar ou brigar...

            É grande falador e comentador. Usa muito o como e o por quê.

            Gosta muito de passear de automóvel, principalmente sozinho com o pai.

            Não convém habituar a criança nessa idade ao rádio ou à TV.

 

5 anos

            Seu mundo é simples, baseado no “aqui e agora”.

            É capaz de concentrar sua atenção. Pensa antes de falar. Domina a articulação da palavra. É curioso. Gosta de ajudar a mãe nas tarefas diárias. Porém, o seu sentido moral não está ainda muito cristalizado, se for pego em alguma falta não terá dúvida em acusar outra pessoa que estiver mais perto. Pode levar para casa objetos de outros colegas, mas se advertido aprende a desenvolver por vontade própria.

            Gosta da rotina porque faz sempre o mesmo.

É séria a respeito de si mesma e impressiona-a muito a capacidade de assumir responsabilidades.

Gosta de imitar os outros.

Encontra-se feliz no seu mundo, porque se sente cômoda consigo mesma e com o ambiente: encontrou o equilíbrio.

Grande observadora e imitadora do que observa.

Agrada-lhe fazer as coisas à sua maneira, mas também quer agradar ao adulto e fazer as coisas bem.

No que respeita à verdade, as histórias fantásticas e os exageros continuam.

Começa a distinguir o real do imaginário e às vezes sabe que está enganada.

Sonhos e pesadelos invadem muitas vezes o seu sono. Às vezes começa a falar enquanto está a dormir, nomeando algum membro da família.

Tem medo da escuridão e dos ruídos.

 

6 anos

É o centro do seu próprio universo. Egocêntrica. Sabe tudo e quer tudo; e quer fazer tudo à sua maneira.

É dominadora, obstinada e agressiva. Emocionalmente é excitável e desafiadora.

Eticamente é pouco apta, devido à sua fase evolutiva, que lhe imprime a tentação de enganar, o que é mais notório no campo dos jogos. Aceita a culpa com mais facilidade em coisas grandes do que pequenas.

Anseia o elogio e a aprovação.

Reage lenta ou negativamente quanto a uma ordem, mas passado um bocado talvez a ponha em prática espontaneamente, como se se tratasse de idéia sua.

Possui dificuldade para decidir, vacila entre duas possibilidades. Gosta de possuir grande número de coisas mas não as cuida.

Possui um débil sentido da propriedade alheia, de modo que pega no que vê e deseja, independentemente de quem seja o proprietário. Tem certa irresponsabilidade.

Toca, mexe e explora todos os materiais.

As suas manifestações tensionais ou descargas chegam por vezes a um ponto limite, chegando por vezes a criança a perder o controle.

Além destas manifestações limites, dão-se também descargas de energia por outras vias: agitação, roer as unhas, etc..

Deseja e precisa de ser a primeira, a mais querida. Agrada-lhe contar histórias exageradas. Dá verdadeiro interesse ao valor do dinheiro, como ganho e recompensa.

Tem medo dos ruídos, essencialmente aos elementos da natureza (chuva, trovão) assim como aos seres humanos e fantasmas.

Adora o elogio e não tolera a crítica. Tem noção do bom e do mau, mas rudimentar, pois a relaciona ainda muito com atividades aprovadas ou desaprovadas pelos pais. É extremamente dominante em relação às coisas que lhe pertencem.

           

Algumas dicas que valem para qualquer faixa etária:

            A educação é permeada por atos e comportamentos das pessoas que convivem com a criança e interfere decisivamente no comportamento desta.

            Quando o assunto é disciplina e horários, tudo deve ser feito com calma, sem atropelos e apenas isso pode se tornar o melhor sedativo para a criança.

            Agressões físicas ou verbais devem ser evitadas. O castigo é o ideal, mas com cuidado. A restrição de liberdade é a melhor alternativa (não brincar de tal coisa, não assistir tal desenho, etc.). Porém, a aplicação do castigo deve ser justa, sem exageros. Nunca de acordo com o humor dos pais.

            Não se deve exigir nada acima das possibilidades da criança, ela não vai dar e o desgaste desnecessário será gerado.

            As discussões sobre a criança devem ser feitas longe dela.

            Não esqueçam “Os problemas dos nossos filhos são os nossos erros” (Rinaldo de Lamare).

            Nosso próximo tema será a imposição de limites para cada uma das faixas etárias dispostas aqui. Até lá!


[1] Texto elaborado pela Psicóloga Raquel C. S. da Silva com a intenção de informação aos responsáveis pelos alunos da Escola Corujinha. Pelotas, setembro de 2009.


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