

Receba as novidades em seu e-mail, cadastre-se.
LIMITES E DESENVOLVIMENTO INFANTIL[1]
Impor limites deve ter um equilíbrio, respeitando o universo da criança que é um ser ativo, sempre envolvido por regras e condutas que sejam adequadas a cada família, considerando os parâmetros sociais vividos por elas.
É importante relembrar que as regras devem ser justas e também ser explicadas.
É função dos pais dar estímulos aos filhos de conviverem bem com os outros, mostrando que ser homem não é sinônimo de ser grosseiro. Ser espontâneo não significa falta de educação. É importante passar às crianças que ser gentil e ter respeito, é essencial para se ter um bom convívio. Esses comportamentos errados não podem ser aceitos. Existem pais que não se incomodam quando os filhos ofendem a mãe, sendo totalmente omissos. Uma das atribuições do pai é não permitir falta de respeito. O pai precisa ensinar a criança dizer de forma não agressiva o que não a agrada.
E quando aqui eu digo pai, me refiro a figura paterna sim, pois a educação é responsabilidade do casal, e não apenas da mãe que na maioria das vezes passa mais tempo com os filhos e torna-se responsável única por este papel. As crianças são fruto da união de duas pessoas que juntas, mesmo quando separadas conjugalmente, devem encontrar uma forma coesa de educação.
Exemplos de crianças sem limites, que passam o tempo buscando situações inapropriadas, encontramos em todo lugar. Quanto mais elas fazem mais procuram novos desafios, isso porque o que realmente buscam é alguém que possa fazê-las parar, alguém que diga que ela não pode tudo, e que determine o que lhe é permitido. Quando os pais não se sentem seguros o suficiente para exercer este papel, elas passam a desafiar a todos (tios, avós, professores...) o tempo todo, na desesperada tentativa de encontrar alguém que ocupe esse lugar de autoridade.
Uma criança frente a qualquer frustração, sempre vai reagir de maneira raivosa e chorosa ou até agressiva. Cabe a quem cuida saber suportar essa reação que está dentro da normalidade, embora desagradável.
Vejamos os limites estabelecidos para área afetiva então:
2 a 3 anos:
Não valorizar suas crises de birra, mantendo-se firme no “não” que lhe é dado, ao mesmo tempo compreendendo-a na sua raiva.
Quando há algum material que ela quer explorar e não pode, mostrar claramente que não se quer que ela mexa porque “isto é meu e eu não gosto que mexam”, oferecendo então uma atividade substituta pela qual se interesse.
Estabelecer regras básicas e mínimas com a criança sobre os materiais que ela pode e não pode mexer, sobre o que pode e não pode fazer, mantendo-se firme dentro dessas regras.
Não tolher a necessidade de exploração da criança, isto é, não estabelecer proibições em demasia e, sempre que possível, colocar fora de seu alcance e de sua visão os objetos, os quais está impossibilitada de explorar.
Oferecer espaços amplos para brincar, permitindo fazer atividades ruidosas, correr conforme gosta, subir, chutar, jogar bola, enfim, possibilitando atividades físicas e exercitação dos músculos, o que dá à criança possibilidades de movimentar-se e a sensação de liberdade, que precisa nesta faixa etária.
Dar a possibilidade de brincar com materiais reversíveis como água, terra, areia, estimulando-a a modelá-los conforme sua vontade (fazer “bolos”, “comida”, “carro”), desmanchá-los e modelá-los novamente, e, principalmente, tolerando que ela se suje.
Fazer em casa e na escola com a criança atividades curtas, como joguinhos simples de armar, estimulando-a a terminar a atividade. Isto a ajuda a obter um senso de disciplina e lhe dá a sensação de que é capaz de realizar uma tarefa completa.
Valorizar qualquer atividade que ela consiga fazer sozinha, encorajando-a no que pode fazer.
Procurar manter os brinquedos numa prateleira ou local ao alcance da criança, deixando-a retirar os brinquedos, espalhá-los no chão de acordo com a sua vontade, e no final do brinquedo, incentivá-la a guardá-los no lugar adequado.
Iniciar o brinquedo do “faz de conta”. Exemplo: comidinha, banhos nas bonecas, posto de gasolina, túneis para carrinhos.
Não valorizar suas brigas e agressões, mas interferir, dizendo, por exemplo: “Não gosto que batas, porque dói e eu não gosto de sentir dor”; dando as explicações de acordo com os sentimentos da pessoa que está interagindo com ela.
Oferecer segurança à criança, colocando-a no colo ou aproximando-se fisicamente, quando manifestar medos passageiros.
Levá-la a compreender o significado de expressões fisionômicas que expressam alegria, tristeza, raiva e dor.
Oferecer objetos que possa rasgar, amassar e bater. Exemplo: papéis, tambor e martelo.
Encorajá-la a “consertar” um brinquedo que destruiu, deixá-la tentar arrumá-lo, e não oferecer-lhe outro brinquedo imediatamente.
Oferecer para brincar objetos como vasilhas, baldes, latas, permitindo repetidamente colocar e retirar coisas de um receptáculo.
Oferecer brinquedos desmontáveis, que ela possa montar e desmontar rapidamente.
Oferecer brinquedos feitos de material resistente (madeira, borracha), para que não estraguem logo, para que a criança não fique com a sensação de que destrói os brinquedos.
4 a 5 anos:
Estimular o brinquedo do “faz de conta” da criança, incentivando-a a assumir papéis (“mamãe”, “papai”, “professora”) e agir segundo a sua percepção dos mesmos.
Permitir à criança que descarregue no brinquedo suas preocupações, medos, situações reais traumáticas. Exemplo: se a consulta ao médico foi desagradável para ela, aceitar que brinque de “faz de conta de doutor”, reproduzindo com os bonecos aquilo que ela sentiu ou fez, pois dessa maneira elabora esta situação que lhe foi traumatizante.
Compreender que todo o comportamento agressivo da criança é em função de uma situação de competição subjacente.
Manejar a agressão, incentivando a criança a resolver por si própria suas brigas. Exemplo: numa situação de briga por brinquedo, primeiro perguntar o que houve, após perguntar às crianças o que se pode fazer para resolver o problema.
Não tolher as iniciativas da criança, deixando-a fazer aquilo que pode (começar a vestir-se sozinha, etc.).
Começar a estimular o brinquedo em grupos pequenos, realizando cada vez com mais freqüência atividades grupais, e nestas ajudando a criança a esperar a sua vez e a partilhar brinquedos.
Incentivar a identificação da criança com o adulto mostrando, sempre que aparecer a oportunidade, que quando for grande será como eles.
Permitir canais para extravasar sentimentos de raiva, ciúmes; tolerar que os verbalize e que os descarregue no brinquedo.
Se o adulto sentir raiva por algo que a criança fez, o manejo adequado é dizer-lhe seus sentimentos, explicitar que se irritou. Com isso a criança aprende que os adultos também são humanos e que algumas vezes se exaltam, e que seu relacionamento com eles pode sobreviver às brigas.
Compreender a criança no interesse que começa a demonstrar por diferenças entre os sexos e nascimento de bebês, manifesto em perguntas ou exploração do próprio corpo ou de outros, procurando conversar com ela com naturalidade ou propiciar-lhe atividades substitutas que lhe dêem prazer. Quando ocorrer a masturbação não impedi-la, nem favorece-la. O melhor manejo para isto é não lhe dar importância exagerada, não encará-la com moralismo, mas oferecer atividades substitutas.
Estimular os impulsos criativos da criança, aceitando que faça “invenções, experiências de cientista”.
Não permitir que se estruturem papeis na creche. Exemplo: “O fulano é o terrível, o ciclano é um amor”. A criança capta os sentimentos dos adultos e passa a agir de acordo com as expectativas que são depositadas nela.
Responder às perguntas da criança sobre sexo de maneira simples, honesta, e de acordo com o seu nível de compreensão. Não mentir e também não dar explicações excessivas e muito científicas, pois ela é ainda incapaz de compreendê-las.
Tolerar os seus medos e fobias passageiras, apoiando-a e compreendendo-a afetuosamente, ao mesmo tempo explicando a realidade. Por exemplo: se tem medos de fogos de artifícios, apoiá-la afetuosamente no colo na hora em que ouça o barulho de um, ao mesmo tempo explicando que o barulho é forte mas são barulhos inofensivos que “dão luzinhas” e que desaparecem.
Permitir e estimular que procure “consertar” os brinquedos que estragou (por isso, dentro do possível, oferecer brinquedos desmontáveis e suscetíveis de conserto por ela própria).
Permitir à criança que participe das atividades domésticas, estimulando-a a assumir tarefas do seu interesse, como: ajudar a varrer a casa (dar uma vassoura pequena), secar o chão, espanar o pó, lavar roupas simples ou panos, recolher e dobrar os panos. Nestas atividades, deve-se respeitar a maneira pela qual a criança se realiza.
Levar a criança a ver peças de teatro infantil.
A partir dos 5 anos a criança já tem a consciência do certo errado, podendo compreender a inadequação de seus atos. Assim, já é hora de delimitar bem as regras e as conseqüências de seu descumprimento.
[1] Texto elaborado pela psicóloga Raquel C. S. da Silva